Eis o eremita em sua solidão
Sentado em uma pedra,
Contempla na amplidão
O horizonte de cores negras.
As estrelas e a lua no céu
Não são capazes de clarear.
Tudo é escuro, o mundo véu,
Nada indica o caminho a trilhar.
Sozinho, ele caminha a passos incertos.
Em sua mente, sonhos e desejos
Que outrora sentiu tão de perto,
E que agora são apenas lampejos.
Sua aparente liberdade lhe embreaga,
Lhe aprisiona, (anestesia) seus sentidos.
A parede que criou só lhe amarga
Inda assim, segue os caminhos batidos.
Talvez a desilusão assim lhe tenha feito,
Talvez ele se tenha deixado levar por ela.
Mas ainda inveja quem faz dela efeito
E consegue disfarçar toda aquela mazela.
Há dias em que ele tenta romper a barreira,
Abraçar o mundo, como se dele fizesse parte,
Mas não consegue, apenas (contemplação) zombeteira
Que desejo, inveja e indiferença dão como arte.
Eis o eremita em sua solidão,
Cercado de gente, na mesa dum bar,
Tantos em volta, ninguém à mão,
Confuso se pergunta, o que é amar?