Bom dia!, disse minha garota,
Bom dia!, respondeu a outra.
que fazes num dia de sol?
que fezes de dia com sol!
Quando moras na terra terna da serra
de tua tenra mocidade (que idade!),
podes pular, saltar, vadiar, parar, chorar, atacar,
brincar, suar, jogar, andar, viver, correr, morrer,
tudo pode acontecer, tudo se pode fazer
mas nunca é suficiente, e eternamente
se sente deficiente, tristemente demente...
o corpo preso, a cabeça solta, a voar,
a fantasiar o que só o sonho pode alcançar...
ainda assim é tudo em vão, se o sonho acabar...
sem sono não sonho o sonho que sonho ter...
num dia de sol a neve cai, e a lua pende no mar
pelo céu uma nuvem vagueia sobre pontes de aço
e concreto retorcendo incerto (n)o deserto do abraço
num laço do terno traço do adeus de alguém,
que há muito já se foi, mas que ainda está presente,
com ar sorridente de quem, na escuridão, pressente
o caminho torto que leva aonde ainda tem
um fio de luz, na torpe cruz da existência
sem o valor de sua mais pura essência,
perdida nos desejos de sua mocidade,
destruída pela descrença de sua maturidade.
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Na encruzilhada do desejo ensejo a medo
aquilo que sem(pre) você quis... pesadelo,
é tudo o que tenho pra lembrar, u' modelo
que se repete, círculo vicioso, e eu, azedo
de tanto fazer o mesmo, assisto pela janela
a noite da derrota desses fantasmas imortais
cujas obras não se pode destruir mais...
Na escuridão da noite que o sol não toca,
nenhum raio de luz nenhuma fresta atravessa
não fosse o fim da festa, não teria pressa,
e talvez algum dia eu não pense mais nela,
assim poderia sair, ver a luz, fora dessa toca,
do esgoto d'uma existência sem brilho, sem cor,
vivida (e assistida) em tons de cinza
sem gosto por nada, apenas desejo, senhor,
sem o horror que tua face demonstra - ranzinza -
aquilo que não alcançaste (por medo será?),
e tento lutar, mas no fim ninguém vencerá,
se nessa batalha não há vencedores,
não importa aonde, procurando, fores...
...e, no fim... não haverá flores...
(Lomeu)
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